Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

O Baptizado da Infanta

O baptizado da infantaPor Carlos Esperança, Saturday-feira, 17 de December de 2005
Em Espanha, a infanta Leonor vai ser baptizada com dois meses e meio no palácio de La Zarzuela no próximo dia 14 de Janeiro.Ninguém põe em dúvida a vontade da criança em tornar-se católica e a ICAR aproveita o hissope para borrifar a filha de Letícia antes que a criança se borrife na religião.

Terça-feira, Dezembro 20, 2005

Estão Lá Há Mais De 30 Anos

Quando será que Angola vai ter outro presidente? Quando será possível que os angolanos tenham outra esperança de virem a beneficiar de uma sociedade mais justa, onde a fabulosa riqueza do país seja melhor distribuída. Angola precisa de escolas novas e equipadas, de hospitais que funcionem e onde não seja preciso ter dinheiro na mão para se ser atendido, precisa que se comece a olhar para o povo, o povo pobre, analfabeto, a gente do musseque, da casa de pau a pique ou da barraca de tijolo e chapa ondulada. A nomenclatura que venceu a guerra civil está rica. Alguns estão mesmo podres de rico. Podiam-se retirar, preparar a sucessão, parar a rapina e começar a pensar na construção de uma verdadeira nação, não de um estado militarizado, pidesco, como o que existe hoje.
As eleições em Angola estiveram prometidas para este ano. Talvez nem em 2006 se realizem. O poder instituído não tem pressa e está mais preocupado em garantir a sua própria vitória do que em concorrer lealmente com outras organizações políticas. Para garantir essa vitória, o terreno tem de ser preparado e a operação-eleições não pode ter falhas. Isto é, a fraude terá de ser minimamente bem feita, para não dar muito nas vistas e não prejudicar o bom andamento dos negócios internacionais que garantem à nomenclatura gordurosos lucros.
Escrito por CN em 17:00 em política Link Comentário (0)

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

Uma Dívida de Gratidão

Uma Dívida de Gratidão(Homem- ao- Mar!)
Ora o Luis Grave dá hoje notícia duma "imensa gratidão". A não perder:"Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa.Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro.Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.Até que, ninguém sabe bem como nem porquê... desapareceu sem deixar rasto... E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro.E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas “gaffes”, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e protagonismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constituiu impedimento para que o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita...# posted by Luis Grave Rodrigues @ 1:17 PM

Televisão De Merda


Televisão De Merda (Navio negreiro)
Está a passar na pantalha pública, um misto de "Natal dos Hospitais" e "Adeus, Até Ao Meu Regresso". É o exemplo acabado de serviço público serôdio que já devia ter sido exterminado. Não sei quem pariu este programa, mas deve ser alguém que continua a acreditar que o emigrante português típico tem 60 anos e é desprovido de sentido crítico, casado com uma gorda de buço e pai de dois moçoilos semi-analfabetos. Felizmente que as coisas já mudaram, há muito. Só os programadores e os produtores da tv pública ainda não repararam.
posted by marujo at 17:30 2 comments

Rituais De Iniciação??

Rituais De Iniciação??? (Blog - Editorial)
Este post volta a colocar a questão da existência de líderes e da muralha de censura erguida (pelos OCS e pelos próprios políticos) à volta das ideias DISCORDANTES, diferentes.É facto, generalizadamente reconhecido, que os políticos e deputados não representam nada nem ninguém, a não ser a si próprios e respectivos grupos de interesses.É facto, generalizadamente reconhecido, que os cidadãos detestam os políticos, com um monte infindável de razões para os detestarem.
Portanto, concluiria qualquer pessoa minimamente bem-intencionada e honesta, é necessário que mude a forma de estar na política, mude a forma de governar, (sejam alterados os respectivos pressupostos) em função do sentir dos cidadãos, das opiniões da maioria das pessoas e para que os nossos problemas colectivos possam ser resolvidos.
Estamos em plena campanha eleitoral, para eleger mais um palhaço!Em campanha eleitoral, o que se espera dos candidatos é que, no mínimo, finjam estar preocupados com os problemas reais e com a sua resolução… Em vez disso o que é que vemos?
Vemos Manuel Alegre (reconhecida a sua incapacidade para mobilizar os abstencionistas, a verdadeira maioria), dizer e repetir, como um disco rachado, que as medidas, pérfidas e criminosas, destrutivas, que o governo tem tomado devem continuar, mas que têm de ser EXPLICADAS, aos cidadãos.
Que tristeza, sr. Alegre!
Meta as explicações num sítio que você sabe, porque CRIMES não são passíveis de explicação, apenas de punição.Que tal propor a valoração da abstenção e deixar ser o povo a decidir? Explicações precisa você mas é do significado da palavra DEMOCRACIA. Vá para o raio que o parta!
Por seu lado, Louçã (outro que nunca me enganou) entretém-se a EXPLICAR as atitudes perversas de Sampaio de “colaborar” com o governo de Durão, no apoio à guerra do Iraque, ignorando o sentir e a opinião manifesta da maioria da população Portuguesa e Mundial.
Diz ele que é como determina a constituição…
Mas eu pensava que o Presidente, tal como o parlamento, eram garantes da DEMOCRACIA, sendo mesmo função, explícita, do Presidente, “garantir o regular e adequado funcionamento das instituições”…Será que se deve considerar que “as instituições” funcionam, quando a generalidade da população está contra? Afinal isto é uma democracia, ou é o quê?
Nestas história, quem é que está a precisar de EXPLICAÇÕES?
Entretanto Soares entretém-se com a sua demagogia falsa e despudorada, a sua argumentação falaciosa (o significado e interpretação das leis e regras é diferente a até antagónico conforme os seus próprios interesses…). Já não surpreende. Soares sempre foi assim. Por isso o país e a democracia estão no descalabro em que vivemos…
Ou seja, com estes (com qualquer destes) as grandes mudanças políticas e sociais, que podem permitir resolver os nossos prementes problemas resumem-se a: “mais do mesmo” e a “EXPLICAÇÕES”, tal e qual como defende qualquer demagogo, mafioso, bem instalado nos circuitos do compadrio e do tráfico de influências que enxameiam a “nossa” classe política, exaurindo os recursos do País para apropriação e proveito próprio.É típico! Afinal eles são apenas POLÍTICOS, farinha do mesmo saco.
No caso destes dois (Alegre e Louçã) estas atitudes assemelham-se a “rituais de iniciação”, para serem aceites e tolerados pela escumalha que controla e decide os resultados eleitorais (detêm as “máquinas de manipulação” e controlam os manipuladores), provada que está a sua inaptidão (e ausência de vocação) para verdadeiros líderes, para mobilizarem a MAIORIA; ISTO É: OS ABSTENCIONISTAS.Candidatos apartidários… Sei…
Qualquer candidato que consiga mobilizar a maioria dos abstencionistas, não precisa dos partidos para nada, ganha as eleições com a maior das facilidades e reúne condições para “promover” as medidas necessárias para resolução dos nossos problemas.Estamos a falar de LÍDERES, de verdadeiros líderes (que existem), de gente que mereça, realmente, os vencimentos que os políticos auferem…
Esta eleição será mais uma oportunidade perdida de resolver os magnos problemas do País…
Publicado também em "Sociocracia"
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por Biranta * 10:20 AM

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Diga de sua Justiça(2)

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O Ópio do Povo

Quando Karl Marx escreveu em 1844 «A religião é o ópio do povo», ainda não havia o futebol-espectáculo dos dias de hoje.

Terá o comércio do futebol o efeito nefasto que a religião tem sobre a humanidade? Penso que não, porque a religião procura anestesiar os injustiçados prometendo-lhes justiça noutro mundo, noutras paragens, através da lavagem do cérebro das crianças e de uma sórdida vigarice baseada em lendas e fábulas. A religião promete a vida eterna aos que bem se comportarem nesta, ou seja, aos que se não revoltarem contra os poderosos, e ainda ao João César das Neves.

Mas deveremos interrogarmo-nos sobre o porquê da constante colagem dos políticos ao fenómeno “futeboleiro”.

Os políticos sempre se procuraram associar aos gostos irracionais dos eleitores desde que sejam inócuos para as suas ambições e desde que os desviem dos problemas que supostamente aqueles se propõem resolver.

Recordemos Cavaco na eleição presidencial de 1995, «Eu sou católico», tentando aproveitar as superstições populares contra Sampaio. Infelizmente para Cavaco a religião já não lhe dá assim tantos votos porque a sociedade está mais laica e tolerante.

Daí que ultimamente se tenha tornado moda a assumpção do futebol entre os que pretendem o voto popular. É vê-los nos estádios, de sorriso largo a responderem com gosto aos entrevistadores sobre as suas paixões clubísticas.

Alguns até se dão ao luxo de se tornarem comentadores na comunicação social em representação do respectivo emblema, o que além da popularidade lhes granjeia um complemento salarial para que possam evitar as agruras da carestia da vida, para poderem ir ao talho sem andarem a contar os tostões. Fernando Seara até engordou.

Num país cada vez mais sombrio e miserável, vendem-se três jornais desportivos diários com tiragens muito superiores às dos outros, há programas e canais de TV, de grande audiência, especializados na discussão dos problemas dos três maiores clubes. Os noticiários da rádio e TV abrem muitas vezes com notícias sobre os jogos de futebol.

As pessoas com vida mais difícil utilizam grande parte do seu tempo a discutir as vantagens do seu clube face ao clube rival. E que grande orgulho e alegria quando acontece a vitória!

E apesar de todo este alarido em redor do espéctaculo futebolístico, a taxa de praticantes desportivos é muito baixa.

Falar de política? Para quê? São todos uns aldrabões que só querem é tacho!
Viver a própria vida, procurar a realização pessoal? Como, se o dinheiro apenas dá, e mal, para as necessidades básicas de uma vida sempre igual e repetitiva com longas horas na deslocação casa/trabalho?

O melhor é aproveitar o pouco tempo disponível para coisas mais simples como o futebol e a telenovela. Afinal um jornal desportivo até é barato e traz a provável constituição da equipa para o próximo jogo. A telenovela vê-se em casa e, no episódio seguinte, mais alguma heroína, da classe média/alta minoritária brasileira, aparecerá grávida.

Mas a população até é bastante patriota, como o comprovou Marcelo Rebelo de Sousa com o eco que o seu apelo para a colocação da bandeira nacional na janela teve, quando do Campeonato Europeu de Futebol.

Todo este entusiasmo foi bem entendido pelos Governos da Nação com o investimento nas infra-estruturas. Os oito novos templos de futebol são o orgulho do país e dos construtores civis. Foi melhor do que construir escolas ou hospitais porque já existem demasiados e são deprimentes.

Claro que os custos de manutenção destes templos são muito elevados. O estádio do Algarve, por exemplo, custa três mil contos só para abrir as portas para um jogo da III divisão nacional e já se encontra em processo de degradação por falta de manutenção. No entanto o actual Governo está atento. A redução dos custos com o funcionalismo público permitirá aquela manutenção por alguns anos.

Os construtores civis e outros empresários da nossa praça, que vivem com dificuldade do trabalho alheio, muitas vezes de emigrantes ilegais que felizmente lhes fazem um desconto bastante razoável no salário como forma de agradecimento pela não denúncia, sempre que podem tornam-se presidentes de clubes de futebol para assim poderem ser reconhecidos socialmente e ficarem com a vida mais facilitada no futuro.

O futebol que, até há uns poucos anos, era quase exclusivo da população masculina, saltou essa barreira e tornou-se vulgar também entre as mulheres.

Agora foi a vez da Chanceller da Alemanha, Angela Merkel, afirmar «Sou uma grande fã do futebol».

O povo alemão ficou ciente que a democrata-cristã, chefe do governo e apóstola da desigualdade social, é um deles e está com eles porque também gosta de futebol.

Guilherme de Azevedo

Durante dez anos consecutivos ele fez sorrir Lisboa todas as semanas, quase todos os dias, arrancando de cada facto da nossa existência de país decadente, mandrião, aborrecido e enfastiado, o comentário cómico, espirituoso e vivaz, que silvava no ar como uma flecha luminosa, fazendo saltar do alvo ferido a bela nota rutilante de uma bandeira ao vento.

Ramalho Ortigão, «As Farpas» 1882